sexta-feira, 28 de abril de 2017

"Foi um acidente"

Não sou expert, mas parece-me que o tal advogado "cinco estrelas" que vai defender o NN que se entregou às autoridades (pela morte do adepto italiano nas imediações do Estádio da Luz) adoptou a via mais "sacana" e hipócrita possível. Ele lá saberá a estratégia que vai implementar para safar o couro daquele bandido, mas aqui de longe, bem de longe de todo o processo, cheira-me a que vamos ter um arraial de novela, repleto de "inocências" absurdas.

"Foi um acidente" diz o advogado, literalmente do "diabo". Sim, deve ter sido.

"Foi um acidente" os NN terem ido a Alvalade provocar as claques leoninas.
"Foi um acidente" terem desafiado os rivais para uma rixa na Luz.
"Foi um acidente" os ultras do Sporting terem caído numa cilada, com um número de NN à sua espera muito para lá do acidental.
"Foi um acidente" que alguém tivesse a ideia peregrina de estar dentro de um veículo (cheio, ao que parece, de outros compadres) à espera sabe-se lá do quê.
"Foi um acidente" que o mesmo veículo tivesse ido ao encontro intencional do adepto da Fiorentina. "Foi um acidente" ter repetido a dose, certificando-se que o adepto ficava devidamente "atropelado". "Foi um acidente" que tivesse abandonado o corpo da vítima no local onde foi duplamente atropelado.
"Foi um acidente" que levou o condutor e todos os acompanhantes a ir esconder o automóvel numa garagem de um amigo, bem longe da casa da namorada do assassino, a devida proprietária da viatura. "Foi um acidente" que tivessem passado vários dias a ver constantemente na tv que a Polícia procurava o carro e os ocupantes, sem que se lembrassem que eram eles os "procurados".
"Foi um acidente" que só se tenha entregado o assassino depois de encontrada e identificada a viatura.
"Foi um acidente" que levou que uma pessoa com cadastro de violência e tráfico de drogas, aparentemente sem posses para ter a sua própria viatura, tivesse escolhido para fazer a sua defesa um dos advogados mais caros da praça.
"Foi um acidente" e uma coincidência brutal que o mesmo advogado já tenha um passado associado a Luis Filipe Vieira e à defesa de outros gangs de narcotráfico.

Foi tudo um enorme acidente, mas espero que a Justiça Portuguesa, um dos pilares da democracia do nosso país não tenha também ela acidentes e puna este tipo de assassinos (sejam eles de que clube forem) exemplarmente. Se assim não for, outros assassinos se juntarão às claques e muitos mais "acidentes" irão acontecer e não me levem a mal, mas não gostava nada que o meu país se transformasse numa imensa Nápoles dos anos 70 à beira mar plantada, numa Ocidental Praia de "Acidentes" Lusitana.

SL

quinta-feira, 27 de abril de 2017

O Futuro do Futebol não interessa?!

Embora os media desportivos não prestem muita atenção, está a decorrer mais uma edição do Congresso "The Future of Football", evento organizado pelo Sporting. É curioso como os paladinos das "verdades" e os eternos "preocupados" com a vitalidade do nosso desporto-rei, conseguem passar completamente à margem deste acontecimento. Este comportamento não é inocente. Colocar o Sporting como o único clube em Portugal interessado em discutir o futuro do futebol dói que se farta aos que passam o ano inteiro atrás de um retrato de um clube falido e de um presidente errático.

É claro que se fossem outras cores mais avermelhadas a patrocinar tal certame, seria um megafestival de elogios e lambebotice rasca e fácil ao "Estadista". Não faltaria um autêntico rodízio de links, directos, referências directas e indirectas colocando o Benfica no altar da ciência do desporto e na pioneira atitude de dar espaço ao debate sobre a indústria.

Mas não. Não tendo tons de vermelho, ignora-se o valor do diálogo e dá-se o mínimo de cobertura possível. A abertura do restaurante de Schelotto na Expo tem mais destaque, é mais relevante que um evento com um painel de convidados de excelência predispostos a partilhar as suas visões e preocupações sobre o amanhã do futebol mundial. Não é apenas ridículo. É um crime que lesa o verdadeiro significado de ser jornalista. Nada de novo? Sim, nada de novo. Ainda assim é grave e merece a reflexão dos adeptos.

Até que ponto os jornais desportivos, as secções de desporto das rádios, as direcções de informação das tv´s querem fazer parte, querem contribuir para a evolução do adepto e do desporto português? Até que ponto este pântano de agressões verbais e físicas não lhes é mais conveniente? Até que ponto não são parte promotora do mau estado do nosso desporto-rei e talvez os únicos que lucrem directamente com isso?

Eu sei a resposta. Penso que todos vocês também saibam. E isso deve ajudar-nos a todos a escolher melhor onde devemos procurar a nossa informação desportiva. Deve ajudar-nos a decidir quais os negócios que queremos "financiar" como consumidores.

SL

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Insustentável

Ouvia até à última semana muita gente afirmar que "só morrendo alguém" é que as entidades (FPF e Liga) iam intervir no estado absolutamente caótico em que se encontra o futebol português. Pois bem, isso aconteceu mesmo e na pior forma possível. Segundo todas as notícias, um adepto benfiquista (ou mais) voluntariamente e intencionalmente tirou a vida a outro adepto que estaria acompanhado por membros da Juve Leo.

É discutível que as razões que levaram a este crime tenham motivações apenas clubísticas, mas o enquadramento é totalmente ligado ao futebol e à rivalidade entre os clubes de Lisboa. E então o que fez a Liga e a FPF, o que fez a tutela do Governo? Nada. Aguardam serenamente que o tema saia da opinião pública enquanto se escondem por detrás das investigações criminais e judiciárias. E a matéria desportiva? Ah...deixem-me adivinhar...a vítima era um arruaceiro, nem sequer era português e estava mesma a pedi-las. Pois...

Parece que agora as vítimas são classificadas, o crime é desculpabilizado e o culpado, o assassino, é deixado à solta ou "procurado". Tanto Sporting, como principalmente o Benfica (que nem sequer tem claques oficializadas - apesar de receberem todos os previlégios de tal estatuto) estão a passar ao lado da responsabilidade desportiva...e têm-na. Não tenho dúvidas nenhumas que merecem castigos, tal como não tenho dúvidas nenhumas que não os recebem para quem ninguém vá ao centro da questão: quem são os responsáveis por este clima e como podem as entidades responsáveis acabar ou sequer minorar o problema?

É que na raiz desta situação está um polvo. bem orquestrado, bem pago e instruído directamente pela direcção do Benfica para agir como criador de polémicas, insultos, acusações sucessivas e desinformação. Tudo o que o desporto não devia ter ou patrocinar. No âmago da problemática está o modus operandi de um presidente que descobriu que montar uma mafia dentro do centro de poder de um clube de futebol passa impune, passa como competência, passa como virtude de gestão. E não é. É apenas banditismo, seja ele na forma de claques patrocinada, mediáticos opinadores, árbitros que devem favores e gratidão, dirigentes avençados dentro da FPF ou Liga ou mesmo altas patentes na PJ e PSP.

Como é que o polvo se vai castigar os seus próprios tentáculos?

SL

P.S.- Já tinha visto quase tudo até que vi João Gabriel (ah e tal, não tem cargo no Benfica...pois é) a atacar o Presidente da Liga. O modo das claques não legalizadas é muito semelhante aos opinadores não cartilhados e aos cães de fila não avençados. É tudo pago, é tudo orquestrado, mas não é "oficial". Logo não pode ser responsabilizado. Chama-se a isto "marginalidade".


segunda-feira, 24 de abril de 2017

Fim ou início?

Este empate marca o final desta época para o Sporting. Não sendo trágica, também não é satisfatória. Bem longe disso. Face ao investimento realizado só podemos classificar este ano como...insatisfatório e olhando para o que os nossos rivais fizeram, só posso pensar que foi uma pena termos ficado tão longe do que fomos capazes de fazer na temporada anterior. Nem Porto, nem Benfica, foram super-equipas. Nem de perto, nem de longe.

O jogo de Sábado esclareceu ainda mais uma coisa: ainda falta à equipa actual argumentos para se impor. Ainda faltam soluções que não existem e ou as encontramos ou as construímos, mas não vale a pena fingir que as temos. As laterais precisam de profunda revisão e a fase de construção do ataque emperra mais vezes do que o ideal. Culpar os avançados é só identificar metade do problema. A William e Adrien faltou muitas vezes o terceiro elemento. Faltou toda a época.

Espero sinceramente que principalmente JJ e BdC entendam onde se errou esta época e preparem muito melhor o próximo plantel. Que não se deixem com a ilusão que contratar meia-dúzia de brasileiros e argentinos resolverá o problema de raiz desta equipa...que é de articulação de movimentações e não de fraca valia dos atletas. Sim, os laterais podem e devem dar mais soluções, mas regra geral não vejo este elenco como tão fraco como muitos reclamam. 

Última nota: Podence, Geraldes, Iuri, Palhinha, Semedo e outros valem todo o esforço que JJ empreender na sua integração no plantel e no onze. Espero que, mais uma vez, não se adiem as esperanças em prol de umas quimeras que depois esbarram na realidade.

SL

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Repor verdade

O que vale um derby quando estamos a 5 pontos do 2º lugar e a 8 do 1º? Para mim, vale muito. Pode não servir para mais do que encurtar distâncias para o líder da tabela, mas essa também se torna importante para devolver alguma verdade aos números desta época. Não vejo o Sporting inferior aos seus rivais. Não tem um plantel inferior, não tem um treinador mais limitado, não tem uma massa adepta que lhe impeça de fazer uma temporada super-suportada nas bancadas.

O que faltou ao Sporting para estar a par e passo dos seus competidores ao título foi pouco, mas foi decisivo. Algum desnorte na construção do plantel (com apostas em jogadores que foram pensados como decisivos e não justificaram esse estatuto), alguma falta de concentração em jogos de vitória obrigatória e como não podia deixar de ser os habituais erros de arbitragem absurdos (empate em Guimarães, empate no Nacional, derrota na Luz, etc). A equipa abanou bastante e embora nunca tenha caído em nenhum precipício, deixou-se afundar num marasmo exibicional que a distanciou da forma da época passada. O verniz entre o treinador e alguns jogadores ameaçou estalar, mas o ponto de ordem foi feito, pena que tarde demais para recuperar o tempo perdido.

Mas 8 pontos de distância não espelha minimamente a diferença (se é que existe) entre Benfica e Sporting e é isso que a nossa equipa tem de demonstrar no Sábado. Uma vitória, mais do que devolver esperança (5 pontos a tão poucos jogos do fim é uma distância enorme) devolverá a confiança aos jogadores, adeptos e treinador, a confiança de que evitando alguns dos erros cometidos este ano, estaremos em plenas condições de voltar a estar noutro patamar na próxima temporada. A questão da arbitragem será mais complexa e exigirá uma concertação de factores que não controlamos.

SL

PS - Ah...e na verdade estou-me a cagar para quem ganha o título.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Os putos não ganham títulos

A frase do título já foi amplamente discutida e é mesmo a opinião de muitos adeptos (e não só) do futebol cá do burgo. Devo dizer que acho a frase (ou o seu contrário) um preconceito absolutamente estúpido. Primeiro porque a idade de um jogador é só um dos seus atributos e nem é especialmente relevante. Há jogadores com 24 anos com bastante mais maturidade do que veteranos de 34, já que nem sempre os jogadores sabem acumular a experiência da mesma forma e existem jovens que precocemente desenvolvem comportamentos inatos que os levam a superar a normal "falta de jogo" em competições de alto nível.

Aliás cada vez mais um jogador de 34 anos pode conseguir performances atléticas comparáveis a atletas 10 anos mais jovens, variando sim no tempo de recuperação que será obrigatoriamente mais longo. O dogma da idade é acima de tudo um arquétipo desusado que cada vez mais se prova inútil e até limitativo da forma como se olham os jogadores e as equipas. Ao ver o Mónaco ou o Leipzig jogar entendemos facilmente que é preferível ter uma formação de média de idades bastante baixa e muito talento a ter uma média de idades mais elevada, muito mais experiente, mas menos talentosa. O diferencial é o talento e não a idade.

O que devemos cada vez mais considerar como fulcral nestas análises é o factor "momento". Qual é o momento do atleta? Está confiante, sem lesões, confia no treinador, encaixa-se bem no onze, desenvolve bem o plano de jogo, está adaptado à língua e ao estilo de jogo da competição, está confortável com os objectivos do clube? O momento é tudo isto e muito mais, mas é neste círculo de dados que devemos posicionar considerações ou comparações. Num dado momento o jogador A pode estar mais apto que um jogador B, por qualquer das razões acima descritas, mas nunca por ser mais novo ou mais velho.

Convém até desmistificar a ideia de progressão linear na carreira dos jogadores de futebol. De ano para ano, os jogadores não evoluem de forma automática, evoluem conforme as suas experiências de jogo. Podem até regredir se jogarem pouco, se jogarem mal, se tiverem lesões graves, se a equipa tiver pretações bastante abaixo das suas metas. Lembro-me facilmente de jogadores que eram bem melhores aos 21 ou 22 anos do que aos 27 ou 28 anos.

Os putos ganham efectivamente títulos. Especialmente os bons.

SL

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Dios nos livre

Teo de volta? Ele diz que sim. Eu desejava que não, mas parece-me que com a idade com o rapaz já tem e com mais uma época para esquecer a nível disciplinar e exibicional...provavelmente é o desejo do Colombiano que vai ser cumprido e não o meu.

Ainda assim, tenho a esperança que exista algum clube chinês ou arábico que tenha uns cobres para levar este jogador, sendo que para ele, deve ser já igual ao litro competir em Portugal ou noutro país qualquer.

Não me entendam mal, gosto do Teo como jogador...acho mesmo que quando se resolve a jogar à bola e a entregar-se à sua actividade profissional é uma solução excelente. O pior é que isso sucede de tempos a tempos com enormes hiatos de infantilidade e primadonice extrema. Sinceramente, não é um risco que o Sporting deva correr, se for possível.

SL