sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Frente a Frente


Vou ser muito sincero com quem segue esta página: BdC não é uma fera em debates. O seu estilo (faz de conta que é) calmo, obriga-o a um discurso pausado, onde se nota que tenta reflectir em cada palavra como se tivesse que passar as suas opiniões por um detector de qualquer coisa. O seu ponto de vista arrasta-se e acaba por repetir-se mais do que lhe convém e sobretudo mais do que os timings cronometrados de um frente-a-frente deixam rentabilizar. 
PMR esteve mais “solto” do que eu esperaria e conseguiu debitar quase todas as linhas mestras da sua campanha, o que convém dizer, não é grande proeza, já que são poucas e bastante superficiais. Ainda assim, confesso-me surpreendido pela atitude combativa e assertiva com que tentou fazer-nos acreditar de coisas que nem ele acredita.

Ontem ficou claro para todos os espectadores que PMR é como aqueles vendedores imobiliários que nos fazem acreditar que a espelunca que nos tentam impingir é o céu e que tudo o que podemos duvidar vai ser muito melhor do que o óptimo. Em quase todos os pontos que se demarcou de BdC, foi impossível entender o como, o quando e com quem irá realizar a série infindável de milagres. Todas as equipas vão ser campeãs, todos os gastos vão diminuir, todos os lucros vão subir, os orçamentos vão baixar e o património crescer, quais os pós de fada que vai usar para realizar tudo isto? Mistério. Nem sequer parece muito preocupado em concretizar sequer a ideia por detrás de cada mega-projecto, nem sequer parece muito resoluto em contar com os sócios para validar as suas propostas. Ontem ficou claro que para PMR são as eleições que têm de ser ganhas e os adeptos ou sócios são apenas um meio para atingir os fins. Há uma palavra para este tipo de candidatos: aldrabão.

Não vos vou dizer que fiquei convencido com a prestação do actual presidente. Não. Esperava bem mais. Esperava que desmascarasse completamente a impreparação de PMR, que explorasse as gafes do dossier JJ, das obras que custam valores que só ele imagina, da estabilização imaginária que diz respeitar, da ausência de qualquer trunfo em termos de recursos humanos. Perdi a conta às vezes que desejei mentalmente transmitir choques telepáticos a BdC para que interrompesse a verborreia teatral do seu opositor para contrapor as ideias magníficas de Delfim (um Team Manager que esteve 2 épocas do clube, não tem qualquer ADN da formação, nunca ocupou nenhum cargo de gestão técnica e que tem um litígio actual com o clube), Boloni (que nunca desempenhou qualquer cargo administrativo, não tem qualquer preparação para dirigir uma Academia e o maior mérito que tem no campo da formação, foi ter visto em Ronaldo e Quaresma dois miúdos que podia lançar na primeira equipa) e sobretudo a magnifica actuação ilusionista na promessa adiada do tal grande, enorme, gigante nome que apregoa há semanas.

Entendo que BdC adoptou um estilo contra-natura. Conteve-se. Sabia que qualquer registo acima do politicamente correcto iria atravessar todos os canais de TV, iria fazer todos os editoriais dos jornais, iria ganhar todas as medalhas de lata de última página, iria ser o alvo de todos os dedos apontados dos senhores do costume, aqueles que diziam que fazia falta um Sporting forte, mas vivem com muita azia os seus sucessos ou promessas de tal. O actual presidente quis essencialmente não fazer prolongar o impacto deste debate nos dias a seguir, não quis dar gasolina para o queimarem e diga-se, nesse objectivo, cumpriu impecavelmente. O confronto foi, regra geral, enfadonho…o que penso ter sido o que muitos benfiquistas e portistas menos desejavam e o que muitos sportinguistas estariam dispostos a aceitar como muito melhor do que peixeirada, insultos ou histeria.

Resta dizer que nada de substancial saiu dos argumentos de cada candidato e à excepção de duas gafes de PMR (Sobrinho e Ricciardi não demorarão a processá-lo) o debate produziu zero de matéria capaz de retirar votantes a cada uma das listas, o que valha a verdade, mantém o actual presidente numa posição muito mais confortável.


SL

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Sem plano B?

Aguardo com moderado optimismo que a actual e muito provavelmente futura Direcção do Sporting desista da opção de extinguir a equipa B. Algumas considerações sobre o tema:

1- As razões que levaram ao Sporting criar a Equipa B continuam válidas. Criar um patamar intermédio para que os jovens saídos da formação (que não estejam aptos para a 1ª equipa) não tenham de andar perdidos por clubes sem estrutura, sem as condições ideais para o seu crescimento como profissionais.

2- Manter um conjunto de atletas preparados para socorrer alguma carência da equipa A, parece-me sempre uma solução bastante interessante e o passado revela-nos que isso pode mesmo fazer a diferença numa época de más contratações ou lesões focadas num sector específico do plantel da equipa principal. Poder rodar um atleta da equipa A neste conjunto é um plus que não tem sido aproveitado, mas que ainda assim me parece interessantes, especialmente quando os atletas regressam de longas lesões. 

3- O Sporting tem ainda pouca margem e influência nos clubes da I e II Liga. Os clubes "pequenos" continuam a preferir espetar-nos facas nas costas e cuspir no nosso prato, de forma a agradar aos Pintos e aos Vieiras. Ficarmos dependentes das "boas relações" com outros emblemas cria um cenário perigoso para os nossos jovens profissionais.

4- Um clube que se arroga de ter uma das melhores formações do Mundo, não pode deixar de avaliar o problema da equipa B de frente, em vez de simplesmente desistir da mesma, sobretudo pelos resultados desportivos. Se produzimos os melhores jovens, haverá razões bastante evidentes que os levam a não conseguir sequer superar outras equipas B´s como as de Braga B ou Guimarães B.


5- Com um custo anual de 3 milhões de euros, a equipa B do Sporting é uma das equipas mais caras da II Liga. A culpa não será certamente dos jovens que transitam directamente dos Júniores, pois a sua massa salarial  não é (ou não deveria ser) tão expressiva. Além do mais, 3 milhões é uma verba que considero investimento e não despesa. Despesa é gastar quase os mesmos recursos num Petrovic, que nunca trará o possível retorno desportivo ou financeiro que mais de duas dezenas de atletas, bastante jovens e com enorme margem de progressão.

6- Receio que ao suspender a equipa B, muitos jovens como foram Dier, Ruben Semedo, Geraldes, Podence, Gelson, Palhinha deixem de ter um palco para poderem exibir as suas qualidades. É que até para poderem ser interessantes aos olhos dos treinadores de outros clubes portugueses e conquistarem um lugar por empréstimo, estes jogadores necessitam de tempo e espaço. A equipa B dá esse espaço e o enquadramento fundamental na passagem do escalão júnior para o sénior. Sem Sporting B, podemos perder muitos talentos pelos caminhos tortuosos de más equipas da II Liga ou até divisões inferiores. Um claro downgrade de opções para a evolução do trabalho da Academia.

7- Não leio no lema do clube "Esforço, Dedicação, Devoção e Glória....e desistir quando não somos capazes de resolver problemas".

Se alguém tiver um argumento razoável que valide a opção de extinguir a equipa B, que não se encontre rebatido nestas considerações, peço encarecidamente que me responda. Terei todo o prazer em assumir que me engano e que "perder" a equipa B é um profundo desrespeito pela identidade formadora do Sporting e um enorme erro de gestão desportiva.

SL

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

El Mago - Buck "Ruiz" Rogers

No seu jeito de quem está em casa a ver a novela, pega no jogo como quem pega no comando. Aumenta o som com passes de uma visão completa das movimentações dos colegas. Muda de canal, mudando o jogo, rematando ou criando oportunidades para vermos outros “programas”. Alan Ruiz é um jogador diferente. É craque “old school”. Não varre o campo como Modric, não dribla como Messi, nem sequer “chama” a bola como Ronaldo ou Ibrahimovic. Não. Este argentino não vive na nossa era. Espanta-me até como Jesus o suporta. Taticamente dá muito pouco ao jogo e raramente faz o que um 10 faz, raramente faz o que um falso ponta de lança faz. Alan faz uma posição que ainda não existe e que o treinador do Sporting ainda está a tentar descobrir. Não é um 8, não é um 9,5, muito menos um 10. É um 10 e meio, sendo que chega normalmente atrasado para funções mais resguardadas e não gosta de batalhar com os defesas em funções mais adiantadas. O Alan gosta mesmo é da bola, de preferência com adversários a 2m dele, esteja onde estiver. 

Se a prestação táctica é um inferno, a prestação técnica é um paraíso. Recebe, ajeita, passa, dribla, remata…não há nada que o argentino não faça melhor que os seus colegas, mas infelizmente tem um tempo e uma visão que ainda não compreende os seus parceiros, nem estes o entendem a ele. Quase sempre parece jogar numa década distinta, algures entre o final dos anos 70 e inicio do império do nick & rush, o nosso craque vê-se e actua num jogo que se desenrola em câmara (quase) lenta. Nesse tempo e espaço, só dele, faz magia. O problema é que estamos em 2017 e não há tempo para as rotações baixas d’El Mago. Nas últimas partidas, Alan tem viajado no tempo e quase que já o consigo ver a retirar o gelo da criogenização e a entrar furiosamente (bom…é melhor dizer, moderadamente) numa velocidade e articulação mais anos 90. Não sei, não sabe Jesus e talvez não saiba ninguém quando, e se, o argentino alguma vez dará de caras com a actualidade do futebol europeu. Mas sei que se isso suceder e a sua nave-espacial aterrar em Alvalade nos tempos mais próximos, iremos ter craque. Iremos ter sucessor para uma coroa há muito sem pretendente. Uma coroa deixada cair aos trambolhões por um Balakov em fungas (€uro legítimas) de se juntar a um Estugarda já em decadência.

Desde então que não mais tivemos Maestros, Magos ou Regista’s e dependemos sempre dos alas (e foram dos melhores que o mundo teve e tem) para ultrapassar as defesas. Eu assumo que Alan Ruiz me agrada. Agrada-me e desagrada-me. Num minuto estou a babar com um passe épico ou um remate “bulls-eye”, no minuto seguinte estou a arrancar as sobrancelhas, depois de mais uma sucessão de 14 dribles a mais, mais uma das 34 faltas que faz (sim, com o guião de JJ) ou uma pressa de jogar condizente com uma velhinha a decidir se quer ou já não se lembra se quer, atravessar uma estrada. Não é consensual, talvez nunca o venha a ser, talvez precise apenas da nossa paciência até que descubra um calendário e um relógio que o venha a ajudar a entender a nossa década e o tempo do nosso jogo. Talvez marque 3 golos e faça 2 assistências na próxima partida. Talvez durma até ser substituído. A “novela” que vê é um pouco imprevisível e nunca ninguém sabe se perderá o comando debaixo de alguma parte do sofá. Um dez e meio, Ruiz, El Mago e argentino é complicado de decifrar.
SL

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O lampião que está a ir aos nossos bolsos

O NovoBanco está em fase de venda. É de todo o interesse do Estado português que o processo se conclua o mais rápido possível. Cada dia que o NovoBanco sobrevive da subvenção pública são milhões de problemas que não são resolvidos e já vai longa a sobrevivência “assistida” deste banco. O que dificulta a venda? A longa lista de devedores que nunca irão pagar um tostão dos mais de 6 mil milhões de euros de créditos mal parados, o resumo do carnaval de cumplicidades e aldrabices que os donos do ex-BES nunca tiveram intenção de pagar. Se imaginam que quem vai acabar por pagar estes 6 mil milhões de euros é o Estado, estão mais próximos de entender a razão deste post. É que somos todos nós, contribuintes, que no final (e os políticos estão há anos a fazer de conta que há outra via) vamos arcar com o BES mau e algum outro banco aproveitar o BES bom. 

Destes 6 mil milhões, mais de mil milhões pertencem à pandega da “família benfiquista” encabeçada por Luis Filipe Vieira. A mim revoltam-me todos os cêntimos que vou pagar para que aldrabões, sejam benfiquistas, sportinguistas ou portistas, continuem a gozar à grande, rindo-se das nossas humildes poupanças…enquanto as suas off-shores engordam. Revolta-me e enoja-me que bandalhos como o Presidente do Benfica continuem a subir a palanques e a encher páginas de jornais, discursando sobre “boa gestão” e acusando outros de terem vantagens no pagamento de dividas.
Um país onde pessoas como Luis Filipe Vieira não estão presos por crimes de especulação, desvio de fundos e burla financeira, não merece contribuintes como eu e vocês que cumprimos, ao cêntimo, todas as obrigações que o tal Estado (que nos devia proteger destes criminosos) nos impõe. 

SL

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Tantos Olivers

Há coisas inexplicáveis e depois há as "coisas" do Mendes. Se Charles Dickens fosse vivo tenho a certeza que se inspiraria na série de acontecimentos fenomenais que rodeiam o longo e interminável conto que é a atividade do Sr. Comendador.

O "Twist" mais recente é uma comédia singular, que narra a história de um menino espanhol que é comprado por um clube de futebol português, mais teso que um cara
pau. 

Embora não fosse sequer racional investir 20 milhões, quando se estava aflito para vender património, o clube contaria com o Comendador para cobrir a cláusula e sem querer dar um valente spoiler nos que ainda não sabem o desfecho desta história, digo-vos só que o coitado do Oliver vai acabar por andar numa "roda" viva, a servir de azeite para muita pasta trocada.

SL

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Ora...o que é que tu achas?

Todos temos opinião sobre o Sporting, mas será que a nossa forma de ver é semelhante à da maioria? Será que o que te preocupa é o mesmo do que todos os outros sportinguistas?

Aqui no lado direito deste post tens a oportunidade de votar e consultar a tua e as demais opiniões sobre o estado actual, a evolução e as fragilidades do nosso clube.

Expressa a tua opinião nos 4 surveys. No final, as confirmações ou as surpresas serão motivo de reflexão e consequente post aqui do escriba.

Obrigado a todos.
SL

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

"O diabo veste-se...do que ele quer"

A imprensa nunca gostou de JJ. Corrijo. A imprensa deixou de gostar de JJ desde que saiu do Benfica. Enquanto esteve no clube rival era genial, o mestre da táctica, um “defensor dos adeptos”, era genuíno e resiliente. Assim que mudou de “cores”, mudaram os adjectivos. Passou a ser polémico, arrogante, provocador, conflituoso, deixou de ser mestre das táctica e tornou-se no mestre dos erros, abandonou o “manto de protecção” e passou a ser expulso, castigado, criticado, os editoriais deixaram de o enaltecer e transformaram-se em observatórios da penosa lista de defeitos deste treinador.

De repente, a mesma imprensa que sempre ignorou a enorme capacidade do Sporting de gerar talentos passou a ser a mais preocupada com a chegada e permanência dos nossos “putos” na equipa principal. Tudo é usado e re-usado como forma de provocar distância. JJ não é próximo de BdC, não é próximo dos gostos dos adeptos, não é próximo dos atletas, já nem sequer é próximo da equipa que trouxe para trabalhar dentro do clube e do Director desportivo que aconselhou (Octavio). A opinião crítica e impiedosa, a campanha de falsidades, a colocação de analogias e depoimentos de ex-jogadores…tudo tem sido usado de forma persistente e regular de forma a “instruir” os adeptos leoninos a achar que têm no seu clube um treinador demasiado caro, demasiado ingrato, demasiado errático e demasiado oposto aos interesses do próprio Sporting.

O combustível para este incêndio são sempre os resultados. Infelizmente, este ano, o cenário arde bem. No ano passado as chamas foram extintas facilmente, ao sabor de vitórias todos os adeptos se riam da crítica, das polémicas, a dor-de-corno (de quem tinha perdido JJ) era demasiado fácil de identificar. Nesta época as chamas queimam e lavra por muitos adeptos uma péssima atitude face a JJ, que culpam de tudo, a toda a hora, seja qual for o cenário.
Pois é neste pior momento do nosso treinador que faço questão em dizer que JJ não é, nem nunca será o meu treinador de sonho, mas (e esta pausa é mesmo importante) é um excelente treinador de futebol, que faz todo o sentido que esteja no meu clube.

Costuma-se dizer que "bom treinador é aquele que ganha" e embora entenda o pragmatismo da frase, a verdade é que um mau treinador pode ganhar de vez em quando, mas um bom treinador tenderá a ganhar muito mais vezes. Não sejamos hipócritas, a época passada existiu e todos nós andámos de peito feito a dar palmadinhas nas costas de Jesus. Não será uma má época (mesmo com todos os erros e mais alguns) que fará de JJ um mau treinador e devemos todos reflectir se não estamos a decidir “odiar” JJ pelos gigabytes de “má publicidade” que todos os dias nos entram pelos smartphones e portáteis dentro, já para não falar do enorme fel com que portistas e benfas nos brindam sobre o tema, os mesmos benfiquistas que há uns tempos colocavam a mesma pessoa num altar, os mesmos portistas que dariam todos os polegares para cima se Jesus acabasse por substituir NES na próxima época.

A meu ver, é no final da época que se tomam as grandes decisões e só aí devem ser escolhidos os rumos mais correctos para todos. Esta circunstância e mais nenhuma deve ser tida em conta por todos os adeptos e de uma vez por todas devemos defender o que é nosso, enquanto é nosso, mesmo que as opiniões pessoais ou os feelings apontem em sentido contrário. Nenhum clube deve ser gerido por capricho e olhando apenas para os últimos resultados. A “dança” de treinadores nunca foi boa para nenhum clube e já vamos muito tarde para beneficiar da velha “chicotada psicológica”. Um Sporting diferente e bem gerido não deve enfermar de maleitas passadas, não deve decidir o seu futuro pela rama emocional de alguns adeptos. As contas têm de ser pagas, as rescisões são pesadas e por vezes o sucesso advém da aprendizagem com os erros e não entrando em demandas eternas de treinadores infalíveis. Um pouco de bom-senso e frieza recomenda-se.


SL